Estresse também engorda
Lembra de quando era possível engordar e depois emagrecer, sozinho, na raça fechando a boca ou com ajuda de remédios? Bons tempos aqueles em que se podiam usar anorexígenos sem correr muito risco de fazer um surto psicótico (hoje o perigo é imenso). Cirurgia de redução de estômago? Era coisa para malucos. Lembram como os pais engordavam os filhos para ficarem fofinhos (dava vontade de morder e beliscar) e depois eles conseguiam ficar magrelos no estirão da puberdade para adotar o tipo de corpo que desejassem? Saudades daqueles tempos suspiram os que começam a adquirir “pneuzinhos de banda larga”. O que será que aconteceu? Por que as crianças engordadas - nos dias atuais - pela família (noventa por cento dos obesos devem agradecer aos familiares – e isso, sendo bonzinho na avaliação) continuam com sobrepeso na adolescência e mantêm-se obesas o resto da vida tendendo a ganhar cada vez mais peso? Quem explica a razão pela qual a cirurgia de redução de estômago torne-se a cada dia uma rotina?
Não é tão difícil entender. Não se trata apenas de aumento da oferta de material para engorda. Ansiedade e medo cada vez mais fortes. Vida sedentária – crianças são criadas em regime de confinamento e engorda, por mau uso do espaço público. Um dos vilões da história é o estresse crônico. Explicando: no decorrer da evolução desenvolvemos mecanismos de defesa quando em perigo, ao conjunto dessas reações orgânicas e psíquicas tipo ataca ou foge denominamos estresse. Frente ao perigo as possibilidades são três: matamos o bicho, fugimos ou somos devorados. Numa situação de perigo real e imediato na qual nossa sobrevivência está em risco, automatizamos um padrão de defesa que envolve todos os sentidos, o corpo e a mente. Nesse instante o instinto de sobrevivência assume o comando e todo o potencial orgânico vai para a sobrevivência. Vamos brincar de analisar: nossa mente considera duas coisas completamente inúteis no momento do perigo: digestão e metabolismo; digerir para que, se o negócio é continuar vivo...
E, o que é o estresse crônico senão a mente neurótica enganando o corpo físico de forma contínua? Na neurose inventamos perigos permanentes e, a polaridade estresse/relax fica comprometida. Embora o organismo reaja como um todo frente ao perigo, alguns sistemas são mais afetados do que outros. Dentre eles, o fígado que produz mais colesterol para fornecer energia adicional aos músculos. Na situação crônica o risco é ilusório e o colesterol produzido ficará passeando pela circulação, podendo obstruir artérias ou se depositar no próprio fígado (que tem aumentado muito). Esse fator somado à alimentação inadequada tornou o colesterol (várias frações) e a triglicéride, em “vedetes” dos exames periódicos. O pâncreas é outro órgão muito comprometido com a necessidade de gerar energia adicional quando vivemos situações tipo corre, foge ou morre. Acrescente-se uma dieta inadequada e o resultado é o aumento cada vez maior do número de pessoas com diabetes. Outra glândula ligada ao metabolismo muito afetada é a tireóide – especialmente nas mulheres que estão desenvolvendo uma tireoidite do tipo auto-imune (um tipo de auto-agressão).
Decorrente da somatória dos efeitos gerados pelo estresse crônico o metabolismo de uma criança e de um jovem na atualidade é semelhante ao de uma pessoa de 60 anos até pouco tempo atrás. Claro que ficará a cada dia mais difícil perder peso. Efeito sanfona, nunca mais. Com o aumento da depressão e da ansiedade, pois como nossos limites foram extrapolados, as pessoas não mais conseguirão usar medicamentos que atuem no centro da fome sob risco de graves e nem sempre reversíveis efeitos colaterais. Como resolver o problema? A atitude mais simples e inteligente é não engordar a criança. É difícil compreender as razões que levam os pais a preocupação tão extremada com a comida. Para os já adultos, basta respeitar o manual do fabricante quanto ao uso do corpo físico. Depois basta praticar as lições do Evangelho: levar uma vida simples e frugal desapegar-se de tudo que envolve esta dimensão (inclusive do prazer de comer) e combater o estresse crônico.
Mas, outra sugestão de uso do que o Mestre Jesus nos ofertou pode tornar-se um remédio eficaz: Bem-aventurados os aflitos. Expliquemos, outro problema desta forma moderna de viver é a digestão. O aparelho digestivo sofre muito com essa situação, pois o medo e a ansiedade fazem com que aumente a secreção do estômago, o que aliado à mastigação preguiçosa e apressada cria intermináveis processos de gastrites recorrentes, úlceras de estômago e duodeno, além de colites, hemorróidas, etc. Em situação de perigo a digestão trava, torna-se lenta, lembram-se?
Uma forma inteligente de usar a aflição: usar a gastrite para comer menos, escolher melhor os alimentos, mastigar direito, comer devagar. Uma gastrite é um santo remédio para emagrecer e não tem efeitos colaterais importantes se as regras do bom senso forem cumpridas. No entanto o que vemos por aí: uma droga chamada “Omeprazol” é a mais vendida no mundo; as pessoas geraram a gastrite, estão com sobrepeso e tomam o remédio para continuar fazendo tudo errado – só por Deus...
Apenas para ilustrar, vamos citar alguns dos outros efeitos colaterais do estresse crônico que, podem ser usados para aplicarmos a idéia que Jesus nos ofereceu para o uso inteligente das aflições:
Alterações no sistema de sustentação
Inquietude física, ranger de dentes, sobressaltos, espasmos musculares, etc. Não conseguimos mais relaxar nem durante o sono. Ossos, músculos, tendões, ligamentos; a estrutura de sustentação do corpo durante o perigo permanece em tensão e rigidez. Depois de algum tempo, é normal que as inflamações comecem: tendinites, LER, bursites, artrites, artroses, fibromialgia, etc. Esse processo leva algum tempo, não quer dizer que o estresse crônico instalou-se assim que começaram os sintomas, todo o processo se inicia bem antes. Toda realização humana tanto as boas quanto as inadequadas são lentas construções.
As pessoas deitam-se e acordam cansadas e com o corpo todo dolorido. Isso não é novidade, esse problema já é bem antigo, apenas daqui em diante ficará muito pior. E, não se trata de uma visão pessimista, mas sim, realista. Um dos parâmetros é que somos lentos em executar mudanças. Todos os que hoje se desesperam e se revoltam com suas limitações e dores começam a perceber que a ação da medicina a cada dia torna-se mais limitada. O alívio que os remédios proporcionam é cada vez menos intenso e o tempo de duração do efeito é cada vez menor.
Irregularidade na irrigação da cabeça
A tensão permanente localizada principalmente nas costas e na coluna faz com que a chegada de sangue à cabeça diminua ou se torne irregular com muitos altos e baixos. Com isso: a visão está cada vez pior, um dia o sujeito enxerga bem e noutro não. A cada dia mais e mais pessoas apresentam dificuldade de concentração, vertigem e até crises de labirintite. A memória está ficando péssima para gente de todas as idades. O raciocínio está cada dia mais cansativo, qualquer trabalho intelectual desgasta.
Má oxigenação
Para piorar a situação dos estressados a ansiedade doentia leva as pessoas a automatizarem um tipo de respiração superficial usando apenas o tórax e o diafragma, o que faz com que piore a cada dia a oxigenação dos órgãos. Com freqüência torna-se difícil coordenar a respiração com a fala. Ao respirar de forma incorreta as pessoas levam mais ar ao aparelho digestivo do que ao pulmão. Dentre outros problemas isso cria um desconforto chamado aerofagia.
Os problemas criados pelo excesso de adrenalina
Em situações de perigo produzimos mais adrenalina e vasopressina. Quando a produção dela e de outros hormônios e substâncias mediadoras é descontrolada passamos a correr o risco de sensações estranhas que podem levar senão ao pânico, também a uma perda intensa da qualidade de vida. Palpitações, sensação de calor e de frio são comuns, e naquele momento parece que o coração vai parar ou vai sair pela boca, angústia e vontade de correr não sei para onde. Muitos estressados estão no limite orgânico e curtem a dança da pressão que sobe e desce. Muitas pessoas, se a pressão for medida cem vezes por dia apresentam medidas diferentes, de acordo com o teor das emoções que estavam em andamento; daí que o número de pessoas rotuladas de portadoras de pressão alta sem que o sejam realmente, são muitas; e o pior para elas é que tomam medicamentos às vezes tão desnecessários quanto onerosos. Não bastassem os problemas naturais ainda há a complicação das interações entre os efeitos colaterais dos vários remédios que as pessoas tomam. O consumo de fármacos desnecessários, que já é brutal, aumenta muito sob os sintomas do estresse, o estudo das interações entre eles é superficial e apenas em vitro ou em cobaias (em vivo); a condição dinâmica da vida humana é menosprezada por todos os interessados, da indústria ao consumidor, passando pela medicina e instituições públicas de proteção e controle.
A culpa é de todos, pois a ganância e a pressa em resultados gera um grande número de agentes e é quase impossível determinar responsabilidades. A possibilidade de medicamentos interagindo com produtos químicos usados na agricultura, produção de alimentos, cosméticos, produtos de limpeza, substâncias inaladas..., não é levada em conta; nem o fato de o organismo estressado de forma crônica reagir de forma peculiar, o que raramente é levado em consideração.
Como aliviar o estresse?
Alguns são estressados de nascença. Suas tendências, impulsos, compulsões inatas e características de personalidade os levam a um desgaste muito rápido quando submetidos a situações mais ou menos corriqueiras para os outros.
Perfeccionistas: exigir perfeição de si mesmo e conseqüentemente dos outros leva o indivíduo a não conseguir relaxar o suficiente.
Exigentes: querer que tudo corra segundo suas vontades e desejos; desgasta e cansa.
Controladores: o medo de perder o controle das coisas ou da vida das outras pessoas e executar tarefas que podem ser delegadas leva com facilidade ao estresse crônico.
Ansiosos: alguns já nascem com a tendência de atropelar os fatos e os acontecimentos, educados num meio neurótico torna-se para eles quase que impossível manter a serenidade frente às situações mais amenas.
Inseguros: o medo da avaliação dos outros conduz o indivíduo a viver de forma contínua sob pressão exercida por ele mesmo.
Impacientes: querer tudo para ontem torna a vida da pessoa e de quem convive com ela um tormento.
Intolerantes: o chamado pavio curto vive criando atritos com tudo e com todos e criando embaraços para sua própria vida.
Mentirosos: sustentar uma mentira desgasta e o medo de ser descoberto deixa o sujeito muito estressado.
Avarentos: numa sociedade onde tudo se mede pelas aparências, acúmulo de posses e títulos, perder algo ou sofrer qualquer tipo de prejuízo leva algumas pessoas ao desespero.
Invejosos: o desejo de possuir o que ao outro pertence leva à insatisfação negativa crônica, um sentimento que desgasta.
Caso o leitor apresente ao menos 3 destas características, melhor começar a caprichar na reforma íntima para perder uns quilinhos.
Para relaxar: ria e gargalhe, pois o riso é a melhor cirurgia plástica que já foi inventada.
As piadas foram censuradas, estavam acima do peso. Paz. (AMÉRICO CANHOTO)
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